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Riscos cibernéticos: por que CEO e CISO estão priorizando riscos diferentes

Escrito por teste | Oct 8, 2026, 11:55:44 PM

Uma perda recorrente com fraude e a possibilidade de uma paralisação prolongada podem disputar o mesmo orçamento de segurança. Para decidir qual exposição tratar primeiro, CEO e CISO precisam comparar impactos, probabilidade dos cenários e capacidade de resposta.

O Global Cybersecurity Outlook 2026, do Fórum Econômico Mundial, mostra diferenças nessa priorização. Fraudes cibernéticas e phishing lideram as preocupações dos CEOs; vulnerabilidades relacionadas à inteligência artificial aparecem em segundo lugar. Entre os CISOs, ransomware ocupa a primeira posição, seguido por interrupções na cadeia de fornecedores.

O levantamento descreve percepções dos participantes. Para aplicar esses resultados à gestão, cada empresa precisa examinar como seus executivos avaliam riscos e quais informações sustentam suas escolhas.

Por que as prioridades de CEO e CISO divergem?

As responsabilidades de cada função ajudam a explicar essa diferença. O CEO avalia compromissos financeiros, crescimento, clientes e execução da estratégia. Nesse contexto, uma fraude com perda registrada oferece uma evidência imediata para justificar uma intervenção.

O CISO acompanha vulnerabilidades, acessos, ameaças e capacidade de recuperação. Uma falha ainda sem prejuízo registrado pode exigir prioridade quando permite comprometer um processo crítico ou impede uma resposta eficaz.

Também existem diferenças no horizonte de decisão. Uma perda mensal aparece rapidamente nos resultados. Já a fragilidade de recuperação pode permanecer sem consequência visível até um incidente. Se a empresa considerar apenas prejuízos recentes, poderá subestimar cenários de interrupção.

Por isso, a discussão exige critérios compartilhados. O histórico de perdas, a exposição atual e os resultados dos testes precisam compor a mesma avaliação.

4 formas de comparar riscos cibernéticos e priorizar investimentos

CEO e CISO podem comparar os riscos a partir de quatro critérios: perda financeira, tempo de interrupção, alcance das permissões e dependência operacional. Cada critério ajuda a dimensionar uma exposição e a identificar quais medidas justificam o investimento.

1. Estime as perdas financeiras com fraudes e phishing

Uma mensagem que imita um fornecedor pode induzir uma alteração bancária e desviar um pagamento. Para dimensionar essa exposição, segurança, financeiro e compras devem analisar valores movimentados, histórico de ocorrências e falhas nas aprovações.

Com esses dados, a empresa consegue comparar o custo de controles adicionais com as perdas que pretende reduzir. A confirmação por canal previamente cadastrado, por exemplo, pode tratar uma falha na validação de alterações bancárias.

2. Compare o tempo de recuperação com o limite da operação

Um ransomware pode interromper faturamento, produção e entregas. Por isso, a análise deve considerar quanto tempo cada processo suporta ficar indisponível e qual capacidade de recuperação a empresa demonstrou em testes.

Se a operação tolera quatro horas de interrupção e a restauração exige dois dias, a liderança precisa estimar as perdas desse intervalo. Essa diferença ajuda a priorizar melhorias de recuperação, considerando também custos de resposta e possível exposição de informações.

3. Avalie o alcance das permissões nas aplicações de IA

Para avaliar riscos de inteligência artificial, a empresa precisa identificar quais dados cada aplicação acessa e quais ações pode executar. Um sistema autorizado a realizar transações pode gerar perdas diretamente, o que exige avaliar limites de autorização e supervisão.

Antes de ampliar o uso, a área responsável e o CISO devem examinar as consequências de uma execução indevida e definir procedimentos de suspensão. Essa avaliação permite comparar o benefício esperado com a exposição e o custo dos controles necessários.

4. Identifique dependências críticas de fornecedores

Um fornecedor pode concentrar serviços essenciais ou manter acessos privilegiados. Para avaliar essa exposição, a empresa deve mapear os processos afetados por uma falha e verificar quanto tempo levaria para recuperar ou substituir o serviço.

Quando vários processos dependem do mesmo parceiro, a análise precisa considerar o impacto conjunto da interrupção. As condições de recuperação e a existência de alternativas testadas ajudam a decidir onde investir em contingência, revisar acessos ou reforçar exigências contratuais.